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domingo, 24 de abril de 2011

joão roberto ripper, sérgio carvalho... studium e punctum com fôlego!!

João Roberto Ripper

Um caso de amor...

Acredito que o fotógrafo João Roberto Ripper não suporta mais tantos amores na vida... Mas quem manda ele ter a fotografia como missão e fazer tanta coisa boa pelo metiér e consequentemente pelas pessoas???!!! Quem possui bom juízo tem respeito, orgulho por quem faz este tipo de traballho.

Ana Lira, fotógrafa pernambucana - mais uma apaixonada  pelo mestre das Imagens Humanas - me deu mais um motivo para a minha admiração por ele ascender: o livro "Retrato Escravo", lançado ano passado, publicado pela Organização Internacional do Trabalho, com fotos dele e do piauiense não menos competente Sérgio Carvalho. Ganhei de presente no Natal, que chegou em minha casa quase que pelo Papai Noel, com direito à cartinha linda escrita em guardanapo. Aninha me deu este maravilhoso presente com a incumbência dada a ela de repassar "a pessoas que pudessem desenvolver trabalhos e discussões a partir dele".

Já faz quase 4 meses que vejo este livro na minha estante e nas minhas mãos e me tomo sem fôlego para escrever algo sobre ele. Evitei ao máximo me debruçar sobre cada foto. Quase uma covardia, assumo... Mas é que tem sido difícil lidar com o conhecimento a respeito de certas situações que ainda possam existir no país e no mundo, como se vivéssemos num regime gutural de comunicação e ação ainda... Infelizmente...

Desde que vi a exposição de Ripper na Caixa Cultural em São Paulo em 2009 - quando pude conhecer a história da forte-frágil Olga, mulher que ficou cega no trabalho escravo em carvoarias, esposa de João Anselmo - tive a plena certeza de que o trabalho deste fotógrafo era mais do que admirável. É como se sentíssemos Ripper entrando no peito de cada fotografado, mas de maneira muito sincera e fiel, com todo o respeito devido. 

E como bem diz no livro o jornalista e cientista político, Leonardo Sakamoto: (vale ver o excelente blog do Leonardo) "As fotos aqui mostradas não são imagens, mas um chamado à ação".

Pois vamos à ação, tomando-o como exemplo... Tenho ido aos poucos, mas com certeza este livro é um bom detonador de atitude perante certos temas ainda recorrentes nas regiões do mundo.

E, segundo o semiólogo Roland Barthes, ele reune o punctum e o studium numa só foto... (leiam sobre este assunto no excelente resumo escrito em 2006 pelo fotógrafo doutor em Artes, Ronaldo Entler).

O livro é mais do que belo e socialmente responsável... É um sacolejador de almas! 


Sérgio Carvalho

domingo, 7 de novembro de 2010

semana de fotografia de recife



Terra à vista!!  Tive a felicidade de ser convidada pela fotógrafa pernambucana, agitadora cultural e coordenadora de oficinas, Ana Lira para a IV Semana de Fotografia de Recife, que acontecerá entre os dias 16 e 21 de novembro deste ano. Como boa Pernambucana e fotógrafa, não consigo conter meu entusiasmo em participar. E alegria mais ainda por poder oferecer uma oficina direcionada a jovens das comunidades populares da cidade!! Esses moços e moças atuarão numa, digamos, contação de histórias sobre "A casa e A gente" deles. Mais ou menos tomando como base algumas ideias do livro "A poética do espaço", do filósofo francês, Gaston Bachelard, quero remeter à questão das fotografias de família e o universo poético, por mais duro que possa ser, da casa onde vivem estes jovens. A fotografia de família e do seu espaço, traz benefícios imensos à cabeça e à alma. Seus cantos, sua cara.

E Luis Humberto e Nicholas Nixon, já demonstraram isso em seus respectivos livros, "Do lado de dentro de minha porta, do lado fora de minha janela" (este a ser lançado já agora dia 25 deste mês) e "Portraits of People". Ensaios belíssimos e de uma construção afetiva inteligente e emocionante. Vale ver estes livros que contam muito sobre o universo particular de cada um no processo de retratar sua família e sua casa.

Além de palestras, nomes como Evandro Teixeira, Dirceu Maués, Mila Targino, Jorge Bispo, Fernanda Magalhães e Paulo Pereira, do Estúdio Luzia (recém-lançado aqui em São Paulo), estarão presentes no comando de várias oficinas. E entre os dias 09 e 11 de novembro acontecerá a Mostra de Cinema sobre Fotografia no lindo São Luiz, cinema antigo da cidade.

Ontem, em um encontro de aniversário aqui em São Paulo, amigos ficaram questionando felizes que Recife pudesse ter uma coordenação de fotografia dentro da Fundação de Cultura da Cidade do Recife. Quem é o herói dessa empreitada é Matheus Sá, fotógrafo e agitador cultural que movimenta e coordena a Semana de Fotografia todo ano. Que bom ter este tipo de consciência nas instituições públicas!! Difícil aqui no Brasil! Tanto é que no penúltimo Paraty em Foco de 2009 na apresentação da mesa sobre Fotografia Pernambucana, o público que assistia às discussões ficou surpreso que pudesse haver coordenadores e política para fotografia tanto na Prefeitura de Recife, como no Governo do Estado de Pernambuco, pela Fundarpe. No Governo, Geison Magno é quem comanda as ações fotográficas. Leiam entrevista com ele realizada por Alexandre Belém no obrigatório e fundamental blog Olha, Vê!

Até logo, logo, Recife!!